terça-feira, 17 de maio de 2016

ÁGUA DEMAIS PODE FAZER MAL E ATÉ MATAR - Em uma cultura obcecada pela hidratação, é possível sofrer uma overdose de água.


Fonte: https://www.google.com.br/search?q=agua&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiQiuSqleHMAhVJ7R4KHcczBC8Q_AUIBygB&biw=1242&bih=615#imgrc=1yI4NjQEFD7OLM%3A

Que a água é essencial para a vida, todo mundo sabe. O líquido constitui 66% do corpo humano e está presente no sangue e nas células, além de preencher os espaços entre eles. O corpo perde água a todo o momento por meio do suor, da urina, fezes e expiração, entre outras “rotas de fuga”. Reabastecer os estoques é essencial, mas a reidratação também pode ser excessiva. Uma overdose de água pode ser fatal.

No começo de 2007, uma mulher de 28 anos de idade, na Califórnia, morreu após participar de um concurso de uma rádio para ver quem conseguia tomar mais água. Após ingerir seis litros em apenas três horas na competição – cujo prêmio era um videogame Nintendo –, Jennifer Strange vomitou, foi para casa com uma terrível dor de cabeça e morreu de “intoxicação por água”.

Há outros exemplos de mortes trágicas por excesso de água. Em 2005, em uma república de estudantes na California State University, uma mulher de 21 anos morreu depois de ser forçada a beber quantidades absurdas de água entre sessões de flexões de braço, em um porão gelado. Já houve também casos de morte de usuários de ecstasy em boates, depois de beberem grandes quantidades de água para tentar se reidratar após noites seguidas dançando e suando. Um estudo de 2005 do New England Journal of Medicine revelou que cerca de um sexto dos maratonistas desenvolvem algum grau de hiponatremia, ou diluição do sangue, que acontece quando se bebe água demais.

Ao pé da letra, hiponatremia quer dizer “sal insuficiente no sangue”, ou seja, uma concentração de sódio no sangue abaixo de 135 milimoles por litro – a concentração normal fica entre 135 e 145 milimoles por litro. Casos graves de hiponatremia podem levar à intoxicação por água, uma doença cujos sintomas incluem dores de cabeça, fadiga, náusea, vômito, urinação freqüente e desorientação mental.
Em humanos, os rins controlam a quantidade de água, sais e outros solutos que deixam o organismo, “peneirando” o sangue através de seus milhões de túbulos. Quando uma pessoa bebe água demais em pouco tempo, os órgãos não conseguem liberar essas substâncias rapidamente o bastante, e o sangue fica “encharcado”. Atraída por regiões onde a concentração de sais e outras substâncias dissolvidas é mais alta, a água em excesso deixa o sangue e entra imediatamente nas células, que incham como balões para conseguirem acomodá-la. 

A maioria das células tem espaço para se expandir, pois fica em tecidos flexíveis, como gordura e músculo, mas este não é o caso dos neurônios, apertados dentro da caixa craniana – que ainda é dividida com o sangue e o líquido cérebro-espinhal, explica Wolfgang Liedtke, neurocientista clínico do Centro Médico da Duke University. “No crânio quase não há espaço para que eles se expandam ou inchem”, ele afirma. 

É por isso que o edema ou inchaço cerebral pode ser desastroso. “A hiponatremia rápida e grave causa a entrada de água nos neurônios, levando ao inchaço que se manifesta em convulsões, coma, falha respiratória, hérnia cerebral e morte”, explica M. Amin Arnaout, chefe da nefrologia do Massachusetts General Hospital e da Harvard Medical School.

E onde as pessoas arranjaram essa idéia de que beber enormes quantidades de água é saudável? Anos atrás, Heinz Valtin, especialista em nefrologia da Dartmouth Medical School, decidiu verificar se o conselho comum de se tomar oito copos de água por dia resistiria à prova científica. Após pesquisar toda a literatura científica sobre o assunto, Valtin concluiu que nenhum estudo endossa os oitos copos de água diários (para adultos saudáveis que vivem em climas temperados e fazem algum tipo de exercício). Na verdade, tomar essa quantidade de água ou mais “poderia ser prejudicial, tanto pelo perigo da hiponatremia quanto pela exposição a poluentes, além de fazer com que as pessoas se sintam culpadas por não beberem água suficiente”, ele escreveu no American Journal of Physiology—Regulatory, Integrative and Comparative Physiology em 2002. Desde a publicação de sua descoberta, diz Valtin, “nenhum estudo em uma publicação na área provou o contrário.”
A maioria dos casos de intoxicação por água não acontece simplesmente por beber água demais, explica Joseph Verbalis, do Georgetown University Medical Center. “Geralmente é uma combinação de ingestão excessiva de líquidos e maior secreção de hormônio antidiurético, ele diz.” Produzido pelo hipotálamo e secretado na corrente sanguínea pela glândula pituitária posterior, esse hormônio faz com que os rins retenham água. A sua secreção aumenta em períodos de estresse físico – durante uma maratona, por exemplo – e pode fazer com que o organismo retenha água mesmo se a pessoa beber quantidades excessivas. 

A cada hora, um rim saudável em repouso consegue excretar de 800 a 1000ml de água – assim, uma pessoa pode beber água a uma velocidade de 800 a 1000ml por hora sem ter um ganho líquido da substância, explica Verbalis. Se a mesma pessoa está correndo uma maratona, no entanto, o estresse da situação irá aumentar os níveis do hormônio antidiurético, reduzindo a capacidade de excreção para até 100ml por hora. Beber de 800 a 1000ml de água por hora sob essas condições poderia levar a um ganho líquido em água, mesmo se a pessoa estiver suando consideravelmente, ele diz. 

Ao praticar exercícios físicos, “você deveria equilibrar a quantidade da água que bebe com a quantidade de suor que produz”, e isso inclui bebidas isotônicas, que também podem causar hiponatremia quando consumidas em excesso, aconselha Verbalis. “Se você está suando 500ml por hora, deveria ingerir o mesmo volume de água.”

No entanto, medir o suor não é nada fácil. Como um maratonista, ou qualquer pessoa, pode determinar o volume de água a ser consumido? Se você é saudável e ainda tem um barômetro de sede que não tenha sido prejudicado pela idade ou pelo uso de medicamentos, siga o conselho de Verbalis: “beba água de acordo com sua sede. É o melhor indicador”.

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segunda-feira, 16 de maio de 2016

A CIÊNCIA POR TRÁS DA LONGA LUTA CONTRA AS DROGAS DA DEA


Tentativas de retirar a Cannabis da lista de drogas mais mortais do mundo enfrenta inércia burocrática.

Aumenta a especulação sobre a possibilidade de que a agência norte americana de combate às drogas, a DEA, vá revisar, até o verão do Hemisfério Norte, a classificação de Schedule I da maconha como uma das drogas mais perigosas do mundo, a mesma dada à heroína. Pouquíssimos americanos conhecem ou entendem o processo de classificação da DEA, e uma revisão do histórico da Cannabis como uma droga Schedule I mostra que o rótulo é bastante controverso. 

O desacreditado Procurador-Geral da administração Nixon, John Mitchell, colocou a maconha nessa categoria em 1972, como parte do ranking ou “agendamento” de todas as drogas sob o Controlled Substances Act de 1970. Drogas classificadas como Schedule I são as consideradas como inúteis do ponto de vista médico e com alto potencial para consumo abusivo. A Cannabis está lá desde então. “Mesmo hoje, a maconha nunca foi determinada como remédio,” afirma Russ Baer, coordenador de equipe do escritório para assuntos públicos e do Congresso do DEA. “Não existe uso médico seguro ou efetivo, não pode ser usado em âmbito médico e possui um potencial para abuso alto.” Essa determinação passou a ser isolada por um processo burocrático bizantino e kafkiano agora impermeável à opinião da maioria dos médicos dos EUA - e de um vasto conhecimento científico - dizem muitos especialistas.

“É claro que a Cannabis tem usos médicos,” afirma o oncologista integrativo da Universidade da Califórnia, São Francisco, Donald Abrams, um dos poucos pesquisadores que conseguiu obter amostras extremamente limitadas e aprovadas pelo governo de Cannabis para pesquisa em humanos. “É bastante claro, pelo que temos de evidências antropológicas e arqueológicas, que a Cannabis vem sendo usada como remédio por milhares de anos - e era um remédio nos Estados Unidos até 1942,” Abrams adiciona. “Eu sou um oncologista e digo o tempo todo, não há um dia em que não recomende Cannabis para pacientes para combater náusea, perda de apetite, dores, insônia e depressão - ela funciona.”

A classificação da maconha como Schedule I não aconteceu em um vácuo, historiadores apontam. Racismo evidente, combinado com reformas do New Deal e interesses burocráticos são frequentemente culpados pelo primeiro round de proibição federal da Cannabis, o Marihuana Tax Act de 1937, que restringiu a posse da drogas àqueles que pagavam uma taxa exorbitante para utilizá-la apenas para fins médicos e industriais limitados. (A Cannabis foi removida da Farmacopeia americana em 1942.) “Nas regiões da América onde segregação racial, os jornais diziam que ‘’essa coisa fazia mulheres brancas transarem com homens negros’,” nota o historiador Martin Lee, autor de Smoke Signals: A Social History of Marijuana.

A Associação Médica Americana inicialmente se opôs à proibição. A Cannabis era útil do ponto de vista médico, diz William Woodward, conselheiro da Associação. “O congresso sendo o que era na época, conseguia-se aprovar coisas contando bobagens,” adiciona Lee. “Quem é que, em 1937, vai subir no palanque para defender uma droga que negros, latinos e músicos de jazz usavam?”

O Tax Act passou entre as reformas do New Deal, e os primeiros vendedores ambulantes de maconha foram presos naquele ano. Em uma década, no entanto, a ciência levantou sua cabeça. Em 1944, o Relatório La Guardia da Academia de Medicina de Nova York foi o primeiro de uma longa linha de instituições oficiais a questionar a proibição. O Relatório apontou que a maconha não causava vício, não era uma porta de entrada para outras drogas e não levava ao crime. Mas Harry Anslinger, chefe do então Birô Federal de Narcóticos, rotulou o relatório como não científico e a proibição continuou. “A cada 10 anos desde então - embora estejamos um pouco fora do prazo - algum órgão governamental revisa os dados e conclui a mesma coisa [contrária a proibição],” diz Abrams.

O modelo de proibição federal de Cannabis do Tax Act se tornou ilegal em 1969 com o caso Leary vs. United States, que considerou a compra do selo que comprovava o pagamento da taxa sobre a maconha produção de evidência contra si mesmo. O veredito estimulou o Congresso a revogar o Tax Act e substituí-lo pelo mais abrangente Controlled Substances Act, de 1970.

A maconha foi colocada como Schedule I provisoriamente, em 1971, até que o material científico pudesse ser avaliado. Mas o presidente Richard Nixon viu na proibição da maconha a chance de destruir a esquerda contrária à guerra, de acordo com gravações clandestinas feitas por Nixon na Casa Branca e com declarações feitas por membros de sua equipe para a imprensa. Nixon convocou a Comissão Nacional sobre Maconha e Abuso de Drogas (que mais tarde ficou conhecida como Comissão Shafer) para produzir evidência científica que justificasse a classificação da Cannabis como Schedule I. “Eu quero uma porra de uma declaração forte sobre maconha,” disse Nixon em fitas de 1971. “Posso conseguir isso dessa bosta de, uh, conselho doméstico?... Eu quero uma [declaração] sobre maconha que os destrua.”

A Comissão Shafer descobriu em 1972 que a Cannabis era tão segura quanto o álcool e recomendou acabar com a proibição em favor de uma abordagem do ponto de vista da saúde pública. Mas nesse momento o Birô Federal de Narcóticos já havia sido removido do Departamento do Tesouro e se fundido ao Departamento de Justiça - onde o aliado de Nixon, o procurador Geral John Mitchell, colocou a Cannabis como Schedule I em 1972; no mesmo ano, ele renunciou para liderar o comitê de re-eleição de Nixon. (Mais tarde, em 1974, ele foi julgado pelo Caso Watergate e cumpriu pena de 19 meses por conspiração, perjúrio e obstrução da justiça.) “Você quer saber sobre o que isso era de fato?” disse John Ehrlichman, assistente de Nixon, ao jornalista Dan Baum, em 1994, de acordo com um artigo publicado no Harper’s Magazine em 2016. “A campanha de Nixon em 1968 e a presidência de Nixon depois disso tiveram dois inimigos: a esquerda contrária à guerra e os negros. Você entende o que eu estou dizendo? Nós sabíamos que não podíamos fazer com que ser negro ou contrário à guerra fosse ilegal, mas fazendo o público associar os hippies com maconha e os negros com heroína, e então criminalizar duramente as duas drogas, nós podíamos romper essas comunidades. Podíamos prender seus líderes, invadir suas casas, interromper suas reuniões e os tornar os vilões no noticiário da noite. Sabíamos que estávamos mentindo sobre as drogas? Claro que sim.”

Qualquer um pode fazer uma petição para que a DEA reveja a classificação de uma droga, diz Baer. A DEA recebe conselhos da agência reguladora de medicamentos (FDA), o Departamento de Saúde, juízes das leis administrativas da própria DEA, e outros, mas “a palavra final é nossa. Nós temos a autoridade final no que diz respeito à classificação,” afirma Baer. “Na verdade, tudo se resume à ciência. Essa é a base do argumento. Nós somos muito influenciados e ligados à avaliação médica e científica.”

Muitos descordariam. Décadas atrás, o próprio juiz de leis administrativas, Francis Young, recomendou que a Cannabis fosse desclassificada, em resposta à petição de grupos ativistas. Young disse, em 1988, que “maconha, em sua forma natural, é uma das substâncias ativas terapêuticas mais seguras conhecida pelo homem. Com qualquer medida de análise racional, a maconha pode ser usada de forma segura, com uma rotina de cuidado médico supervisionada.” A DEA negou a petição mesmo assim.

Em 1999, em resposta à legalização para uso medicinal na Califórnia, o Instituto de Medicina descobriu que a maconha tinha usos médicos e um risco relativamente baixo para abuso, o que levou a uma nova onda de petições. A DEA negou uma petição de novo em 2011, citando falta de pesquisas específicas disponíveis sobre fumo da maconha nos Estados Unidos.

Pesquisadores dizem que isso representa um clássico beco sem saída, já que a escassez de pesquisas é resultado direto de um bloqueio federal da DEA e do Instituto Nacional de Abuso de Drogas (NIDA) à pesquisas desse tipo. “A razão de não termos mais dados sobre o tema é justamente porque é difícil de se estudar. A única fonte legal de Cannabis é a NIDA, que tem um mandato do Congresso para estudar apenas seus malefícios,” diz Abrams. Pesquisadores também apontam que cerca de duas dúzias de países como Israel, Canadá e Holanda, bem como estados como Califórnia e Colorado, onde a droga é legalizada, possuem pilhas de dados científicos sobre a segurança e eficácia da maconha quando fumada ou em outras formulações. Ainda que o trabalho primário da NIDA foque amplamente em estudos envolvendo abuso de drogas e vício, a organização financia alguma pesquisa sobre usos terapêuticos do THC.

Muitos médicos também estão frustrados com a aparente intransigência do DEA em encarar o crescente interesse e evidências. Em 2009, a Associação Médica Americana recomendou que a DEA revisse o status de Schedule I da maconha. E em 2014, um levantamento da Medscape entre 1.500 médicos apontou que 56% eram favoráveis à legalização da maconha medicinal em nível nacional, com 82% de aprovação entre oncologistas que responderam. “Se médicos são favoráveis ao uso de Cannabis como medicamento, por que não é medicamento?” questiona Abrams.

Em 2014, legisladores chamaram a atenção da administradora da DEA, Michele Leonhart, por não ter respondido questões sobre se a heroína era ou não mais perigosa que a maconha. Ambas são usadas para tratar a dor e ambas são Schedule I - mas a Cannabis não possui nenhum limite adquirível que leve à overdose fatal, enquanto 19.000 americanos morreram, apenas em 2014, de overdoses causados por opioides prescritos. Ainda neste ano, um pesquisador da ONG Brookings Institution chamou atenção para a necessidade urgente de reclassificar a Cannabis, para salvar a vida de americanos. Todos os presidenciáveis de 2016 se comprometeram à honrar a legalização medicinal em nível de estado, reclassificar a Cannabis os desclassificá-la completamente. “Eu acho que o governo federal perdeu toda credibilidade no que diz respeito à Cannabis,” diz Lee, autor de Smoke Signals. Por exemplo, embora a maconha seja Schedule I, a forma sintética e pura do componente mais alucinógeno da planta, o tetra-hidrocanabinol, ou THC, é Schedule III junto com codeína, sob uma formulação farmacêutica chamada Marinol, que pode ser prescrita legalmente para náuseas. “Eu já tomei [Marinol]. É horrível”, Lee diz. “Eu não imagino com alguém em sã consciência acharia que Marinol é mais seguro que fumar maconha. Marinol é como um comestível - você não pode fazer nada.” Baer alega que THC puro é apenas uma molécula e, por isso, considerado mais seguro que a planta Cannabis, que possui mais de 300 tipos de moléculas.

A FDA e o Departamento de Saúde deram a DEA novas recomendações sobre a reclassificação, mas Baer não revelou o que elas dizem. Uma mudança potencial poderia acontecer até o verão [do Hemisfério Norte], de acordo com um memorando enviado a oito legisladores no começo de abril. A classificação da maconha como Schedule I “realmente é um constrangimento nacional,” diz Lee. “Dá um novo sentido para a frase ‘a grande mentira’. É como dizer ‘a Lua é feita de queijo.’ Que isso esteja assim até hoje é de fazer rir, para não chorar.”

Disponível em: 
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/a_ciencia_por_tras_da_longa_luta_contra_as_drogas_da_dea.html
Acessos em 15/05/2016.

AULA DE CAMPO - AGRONEGÓCIO - IFCE TAUÁ

Estação Ecológica de Aiuaba - 12/05/2016


A aula teve como objetivo, aprofundar os conhecimentos e a compreensão in loco, das teorias estudadas academicamente no âmbito da Gestão Ambiental e Biodiversidade faunística e florística da Caatinga já que se trata de uma área exclusiva do Nordeste do Brasil e contempla uma extensão de mais de 11.500 hectares de área preservada e mantida pelo Governo Federal. O contato foi positivo e contou com o apoio técnico necessário aos encaminhamentos da aula prática.

PROJEÇÕES DO AGRONEGÓCIO 2014/15 A 2024/2025


Este trabalho é uma atualização e revisão do estudo Projeções do Agronegócio – Brasil 2013/14 a 2023/24, Brasília – DF, Setembro de 2014, publicado pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (AGE/Mapa). 
O trabalho tem como objetivo indicar direções do desenvolvimento e fornecer subsídios aos formuladores de políticas públicas quanto às tendências dos principais produtos do agronegócio. Os resultados buscam, também, atender a um grande número de usuários dos diversos setores da economia nacional e internacional para os quais as informações ora divulgadas são de enorme importância. 
As tendências indicadas permitirão identificar trajetórias possíveis, bem como estruturar visões de futuro do agronegócio no contexto mundial para que o país continue crescendo e conquistando novos mercados.
Confira o material completo, em pdf, no link abaixo:

quarta-feira, 2 de março de 2016

APESAR DE SER POTÊNCIA NO AGRONEGÓCIO, BRASIL IMPORTA 75% DOS FERTILIZANTES QUE USA.


Plantação de soja: crescimento do uso de fertilizantes no Brasil é o dobro da média mundial (foto: www.ufrgs.br)

Brasília – “Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo”, escreveu Pero Vaz de Caminha, descrevendo a fertilidade da terra que se tornaria o Brasil. Caminha, infelizmente, pouco sabia de agricultura, e o ditado “em se plantando, tudo dá”, que hoje ecoa a impressão do visitante português, não passa de propaganda enganosa. Um olhar mais atento revela que a terra tupiniquim sofre com a falta de componentes essenciais para o desenvolvimento vegetal, e que seria necessário um jeitinho brasileiro para transformar este vasto território em potência agrícola.

Hoje, o país registra uma safra anual de 209,5 milhões de toneladas, com crescimento de produção superando os 8% ao ano. Por trás desses números impressionantes, está um importante ingrediente, capaz de compensar a esterilidade da terra nacional: 28 milhões de toneladas de fertilizantes, quantidade usada em 2015, para nutrir leguminosas, frutas e grãos. O problema é que cerca de 75% desses insumos têm origem estrangeira. Conforme cresce a safra, sobem também os números que prendem um dos pilares da economia brasileira à importação.

A agricultura nacional posiciona o país na quarta posição entre os consumidores de fertilizantes, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. Enquanto o consumo desses produtos aumenta, em média, 2% ao ano no mundo, o crescimento no Brasil é de 4%. De maneira inversa, a fabricação nacional tem caído nos últimos anos, abrindo espaço para a entrada de mais produtos importados. Essa dependência de nutrientes estrangeiros influencia diretamente no custo da lavoura e obriga os fazendeiros a incluír a cotação do dólar na conta da produção da safra.

Sem uma política nacional para o setor, os produtores brasileiros têm poucas chances de conquistar a independência dos fertilizantes importados. “O preço ficou alto, e o governo zerou a alíquota da importação, o que a estimulou. Isso foi feito para proteger o agricultor, mas causou um problema: a retração ainda maior dos investimentos na produção nacional”, ressalta José Carlos Polidoro, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Solos.

Para Polidoro, o problema dos fertilizantes é uma questão de segurança nacional. “Importamos mais de 90% do potássio que consumimos, e esse nutriente é muito exigido pela planta. Se algo acontecer na Rússia, por exemplo, o Brasil sofre um problema de abastecimento sério”, estima o especialista da Embrapa. “Este é um país que depende da agricultura, e não produzir fertilizante é um erro estratégico grande.”

Além dos altíssimos investimentos necessários para o processo de mineração, fabricação e logística dos insumos de origem mineral, a produção nacional também esbarra na questão ambiental, pois a mineração pode comprometer áreas de grande importância. O consumo de potássio do país, por exemplo, poderia ser totalmente suprido se fosse explorada uma reserva do minério recém-descoberta no Brasil. O problema é a localização desse tesouro mineral: no coração da Amazônia, às margens do Rio Madeira. Embora não seja considerada inviável, a exploração da região exige extensos estudos de impacto ambiental.

Inovação Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial deve ganhar 75 milhões de habitantes a cada ano, aumentando ainda mais a demanda por alimentos e colocando mais pressão sobre a produção agrícola. O Brasil tem importante papel na segurança alimentar mundial e deve alcançar a liderança das exportações do setor na próxima década. As terras cultiváveis, por outro lado, são limitadas. Portanto, torna-se urgente o aumento de eficiência do solo, o que só pode ser alcançado por meio de novas tecnologias de nutrição vegetal.

Para suprir essa necessidade, os insumos importados são usados para a fabricação de produtos enriquecidos com um toque brasileiro. Estima-se que quase 700 empresas de pequeno a grande porte sejam responsáveis pela maior fatia do mercado nacional de nutrição vegetal, dedicada a transformar macro e micronutrientes em novos fertilizantes foliares, orgânicos, organominerais e outros produtos aprimorados com tecnologia agregada. Além de serem adaptadas à condição brasileira, essas fórmulas também são menos dependentes do mercado internacional. “Se o cloreto de potássio importado é transformado numa outra fonte de potássio, ele tem uma diluição do efeito da importação. Por isso, o segmento sofre um pouco menos”, explica Anderson Ribeiro, representante da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo).

A expectativa é que o setor de fertilizantes especiais cresça 17% neste ano graças à inovação: estima-se que os produtores com tecnologia agregada invistam cerca de 6% do faturamento em pesquisas. “O segmento de fertilizantes especiais se destaca por gerar muita informação na pesquisa. A gente agiliza os processos para levar a informação rapidamente ao agricultor”, ressalta Ribeiro. A estratégia rende produtos com melhor aproveitamento dos nutrientes pelas plantas, com desempenho até 10% maior.

Outra rota para a renovação do setor é a busca por novas fontes de minerais e materiais orgânicos. Na região de São Gotardo (Alto Paranaíba), uma pesquisa da empresa Verde Fertilizantes, em parceria com a Universidade de Cambridge, promete transformar a glauconita, minério que pertence à rocha popularmente chamada de verdete, em uma variedade de nutrientes para vegetais. O minério é usado para a fabricação de fertilizantes há mais de dois séculos, mas no Brasil era subestimado. Além de um composto que promete melhorar a qualidade do solo aprovado para produção orgânica, a empresa trabalha num protetor vegetal e em um fertilizante multifuncional. “Estamos falando de potássio, cálcio, magnésio, silício e, dependendo da cultura, também de manganês, boro, cobre e zinco. Esse produto pode ser usado em absolutamente todas as culturas”, enumera Cristiano Veloso, CEO da companhia. A empresa aguarda a licença ambiental para dar início à produção.

Pó de rocha Na Universidade de Brasília (UnB), pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) estudam o uso de uma antiga técnica natural para fertilizar solos. Conhecido como rochagem, o método consiste no uso de rochas moídas para recuperar os agrominerais perdidos pela terra. “Ao contrário dos fertilizantes convencionais, essas rochas contêm quase toda a tabela periódica. Assim, podemos acrescentar micronutrientes que são igualmente importantes e que, ao longo do tempo, foram deixados de lado pela agricultura nacional”, afirma Suzi Huff Theodoro, pesquisadora do CDS.

A especialista estuda a rochagem há quase 20 anos e já aplicou a técnica em culturas de milho, feijão, cana-de-açúcar, mandioca e hortaliças. Os trabalhos revelam que os bons resultados tendem a melhorar com o tempo. A produção pode triplicar entre uma colheita e outra, após uma única aplicação, com duração estimada em cinco anos. Isso ocorre porque a remineralização é um tipo de fertilizante inteligente que fornece nutrientes para as plantas gradativamente. Nada é desperdiçado, e os minerais permanecem no solo para servir à próxima safra. Além de ser ambientalmente correta, a alternativa pode custar até 90% menos que os insumos convencionais — uma grande diferença, já que os custos com fertilizantes chegam a representar 50% da despesa em alguns tipos de cultura.

As pesquisas constataram, ainda, que essa aplicação tem melhor desempenho em áreas tropicais. As culturas de ciclo longo (como a cana, um dos principais produtos nacionais) são as que mais se beneficiam, e os vegetais bem nutridos se tornam também mais saudáveis para os consumidores. A remineralização já foi incluída por lei entre os insumos destinados à agricultura, mas o uso depende de uma nova instrução normativa do Ministério da Agricultura. “É importante dar ao Brasil essa alternativa”, acredita Suzi Theodoro.

Tags: agronegócio fertilizantes importação